138 anos de abolição: 13 de Maio não é dia de festa, mas de luta e reparação
Ao chegarmos aos 138 anos da assinatura da Lei Áurea, é preciso encarar de frente a realidade brasileira: o 13 de maio não é uma data de celebração, mas um marco de denúncia. O Brasil detém o vergonhoso título de último país das Américas a abolir formalmente a escravidão e essa demora não foi apenas uma questão cronológica, mas um projeto de Estado. A abolição, feita sem qualquer política de inclusão, assistência ou distribuição de terras, lançou milhões de negros e negras à própria sorte, perpetuando um ciclo de marginalização que moldou a estrutura do país e do nosso mercado de trabalho.
O racismo que hoje impede a ascensão de bancários pretos e pardos a cargos de diretoria, ou que diferencia o atendimento nas agências, é o mesmo que, em 1888, negou o direito à cidadania plena. Por isso, falar nesta data exige reflexão sobre reparação histórica. Não se trata apenas de reconhecer o erro do passado, mas de agir no presente através de mecanismos como as cotas raciais, que são ferramentas fundamentais de justiça para equilibrar um jogo que começou com séculos de desvantagem.
Para Adailton Patrício do Nascimento, a luta por justiça social e igualdade de direitos é indissociável da luta sindical. Enquanto a cor da pele for um fator de risco para a vida e um teto de vidro para a carreira, a nossa democracia será incompleta.
“O 13 de maio serve para nos lembrar que a caneta da Princesa Isabel não garantiu dignidade. Para a população negra, a verdadeira abolição é uma construção diária que passa pelo acesso à universidade, pelo fim da violência policial e pela ocupação de espaços de poder. No Sindicato, nossa luta é para que o setor financeiro reflita a cara do Brasil e para que a reparação histórica saia do papel e se transforme em igualdade real”, pontuou.
O movimento sindical bancário tem um histórico de vanguarda no Brasil quando o assunto é o combate ao racismo estrutural. Como o setor financeiro é um dos mais lucrativos e influentes do país, o Sindicato entende que a mudança precisa ser forçada através de negociações coletivas e pressão política.
Conheça as principais frentes de atuação:
1. Censo da Diversidade
Esta é uma das ferramentas mais poderosas. O movimento sindical exige que os bancos realizem, periodicamente, um mapeamento do perfil dos funcionários (raça, gênero, orientação sexual e PCDs).
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Para que serve: Os números provam o que o olho nu já percebe: quanto mais alto o cargo, menor a presença de pessoas negras. Com esses dados em mãos, o Sindicato tem base estatística para cobrar metas de contratação e promoção.
2. Cláusulas na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)
Diferente de muitas categorias, os bancários possuem cláusulas específicas sobre igualdade de oportunidades em sua CCT, que tem validade nacional. O Sindicato negocia para que os bancos:
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Criem canais de denúncia eficazes contra o assédio moral e o racismo institucional.
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Implementem programas de treinamento e combate ao viés inconsciente para gestores.
3. Combate ao “Teto de Vidro”
O movimento sindical denuncia o fenômeno onde bancários negros entram no sistema (muitas vezes via concursos ou seleções de entrada), mas ficam “estacionados” em cargos de caixa ou atendimento, sem acesso às gerências. O Sindicato atua pressionando por:
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Processos de promoção mais transparentes.
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Programas de mentoria e aceleração de carreira específicos para trabalhadores negros.
4. Coletivos de Combate ao Racismo
Os Sindicatos, como o de Guarulhos e Região, mantêm secretarias ou coletivos de combate ao racismo. Esses grupos:
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Acolhem vítimas de discriminação no ambiente de trabalho.
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Oferecem formação política e jurídica para que o bancário saiba identificar e denunciar o racismo.
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Pressionam por políticas de cotas em concursos de bancos públicos (como BB e Caixa).
5. Pressão sobre Bancos Privados
Enquanto os bancos públicos têm o sistema de cotas, os bancos privados muitas vezes usam o discurso da “meritocracia” para esconder o racismo. O Sindicato atua expondo essas contradições e exigindo que a responsabilidade social das empresas não seja apenas uma peça de marketing, mas uma prática de RH.
Números sobre trabalhadores pretos nos bancos
Baixa Presença em Liderança: Em 2021, pretos e pardos representavam apenas 20,3% dos cargos de liderança na categoria bancária, contra 75,5% de brancos.
Diretoria: Estudos indicam que menos de 5% dos cargos de diretoria nas instituições financeiras são ocupados por pessoas negras.
Desigualdade Salarial: Bancários negros (pretos e pardos) ganham, em média, 24% menos do que seus colegas brancos.
Mulheres Negras: Mulheres negras enfrentam maior desigualdade, representando apenas 8% dos cargos de gerência.

