8 de março é dia de luta, Dia da Mulher

Geralmente quando elaboramos matérias especiais pelo Dia Internacional da Mulher (e pelo mês da Mulher), apresentamos o histórico e conjuntura política para contextualizar a data e trazer informação para quem ainda não a conhece profundamente, mas neste texto em especial direcionaremos a primeira reflexão aos homens.

Sim, falar sobre a história, a luta das mulheres contra o patriarcado e o machismo são de extrema importância e o tema tem ganhado espaço e força na sociedade, mesmo que a passos lentos, e é por esse motivo que chamaremos os homens à reflexão: Qual foi a última vez que você andou pelas ruas durante a noite, cruzou com uma mulher estranha e teve medo de ser abordado ou estuprado? Quando, em uma discussão com a sua parceira, você foi agredido fisicamente?  Você tem suas finanças controladas por sua esposa/namorada?

Antes de você pensar nas respostas, entenda que são apenas perguntas retóricas para que você possa pensar sob a ótica de uma mulher, pois sabemos que a realidade para homens e mulheres é muito diferente, o machismo violenta, diminui, estupra e também mata todos os dias.

Um homem nunca sentirá a real sensação de andar sozinho na rua e cruzar com um homem, não importa a hora do dia. A mulher, desde pequena, é ensinada a fugir de situações que colocam em perigo sua vida e sua integridade, são assediadas no transporte público, espancadas por seus maridos/namorados, assassinadas por aqueles que acreditam que mulheres são objetos e, como tal, têm donos.

Ou seja, desde que o mundo é mundo, nascer mulher é um ato de resistência, mas com o avanço do fascismo, dos casos de violência doméstica (principalmente por conta da pandemia), feminicídio, a reprodução do machismo por outras mulheres e a descredibilização das vítimas é necessário que haja espaço, conscientização e seja dada a devida importância para todo e qualquer movimento que busque a proteção da saúde da mulher, seja ela física ou mental.

 

Uma pesquisa realizada pelo Instituto DataSenado entre os meses de outubro e novembro de 2021 aponta que a maioria das mulheres brasileiras (86%) percebe um aumento na violência cometida contra pessoas do sexo feminino.

 

Para 71% das entrevistadas, o Brasil é um país muito machista. Segundo a pesquisa, 68% das brasileiras conhecem uma ou mais mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar, enquanto 27% declaram já ter sofrido algum tipo de agressão por um homem. (Fonte: Agência Senado).

 

O machismo é cultural e influencia diretamente na manutenção de muitos relacionamentos (não necessariamente amorosos) e utilizado como arma contra as mulheres das mais variadas faixas etárias, classes sociais e níveis culturais. “O machismo é um dos pilares dos relacionamentos abusivos e é uma violação aos direitos das mulheres, é ele o responsável por atacar a saúde física, mental, social, patrimonial e psicológica de suas vítimas e é contra ele que lutamos todos os dias e essa batalha envolve a conscientização das vítimas, muitas se dão conta das violências que sofrem muito tarde”, explicou a coordenadora do Coletivo de Mulheres do Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região, Silvana Kaproski.

O espaço para o debate e a conscientização das mulheres é a luz no fim do túnel para que possam reagir às violências que sofrem. Nem sempre o homem oprime com socos e pontapés, há também violências tão sutis que levam tempo até o despertar e a proteção, a informação é uma poderosa ferramenta contra o machismo.

 

 

Consequências do Machismo

  • Das 500 maiores empresas do mundo, apenas 5% são lideradas por mulheres
  • Mulheres realizam 6 vezes mais serviços domésticos que os homens
  • 62% dos homens acredita que a “obrigação” de prover a família é exclusividade deles e 51% das mulheres concordam
  • 1 em cada 3 mulheres sofre algum tipo de violência proveniente do machismo durante a vida

Machismo MATA!

  • Feminicídios aumentam mais de 40% durante a pandemia no estado de São Paulo
  • Em 2017, mais de 87 mil mulheres foram mortas apenas por serem mulheres, desse total, 58% foram assassinadas por conhecidos
  • Seis mulheres foram mortas por conhecidos a cada hora naquele ano
  • Maridos e ex-maridos são autores de 90% dos feminicídios cometidos no país

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