Campanha “Menos Metas, Mais Saúde” chega a Mairiporã e conscientiza categoria sobre saúde mental
A diretoria do Sindicato segue intensificando a campanha permanente “Menos Metas, Mais Saúde” ao visitar as agências de sua base para dialogar com bancários e bancárias. Na manhã desta quarta-feira, 8 de julho, a mobilização ocorreu na agência do Banco do Brasil, em Mairiporã, e deu continuidade às ações que vêm percorrendo toda a região.
O objetivo central é aproximar a entidade dos trabalhadores, ouvir demandas locais, discutir a atualização da NR1 e combater problemas crônicos da categoria, como o assédio moral e a pressão abusiva por metas inalcançáveis.
O cenário atual da categoria é alarmante: os transtornos psicológicos e o esgotamento nervoso são os maiores motivos de licenças. De acordo com os dados apresentados durante a ação, os bancários representam apenas 1% dos trabalhadores sob o regime CLT no país, mas respondem por 25% dos afastamentos no INSS por doenças psicossociais, ficando atrás apenas dos professores e profissionais de saúde.
Campanha Salarial e o déficit de funcionários no Banco do Brasil
O secretário de Comunicação do Sindicato e bancário do Banco do Brasil, João Cardoso, participou da atividade e relembrou sua trajetória na região, destacando que aquela unidade é sua agência de relacionamento desde que ingressou no banco, em 1993. Ele ressaltou que, apesar do passar dos anos e das mudanças de governo, as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores não diminuíram, o que reforça a necessidade de um sindicato forte e organizado no local de trabalho.
Cardoso aproveitou a oportunidade para atualizar os funcionários sobre a Campanha Salarial deste ano, destacando a entrega da minuta de reivindicações com 60 artigos (que abrangem saúde, previdência, condições de trabalho e acessibilidade) entregue à representação do banco no dia 24 de junho. Uma das urgências mais gritantes da pauta é o deficit de funcionários, que hoje atinge mais de 70% das agências do Banco do Brasil em todo o país.
“Nós não podemos aceitar, sob hipótese alguma, que o Banco do Brasil vá na mesma lógica de mercado dos demais bancos privados: fechamento de agências e diminuição do quadro de funcionários para aumento do seu lucro. É possível ter lucros mantendo agências físicas para atender a população. Essa lógica de fechar unidades e enxugar o quadro aumenta e muito o adoecimento na nossa categoria.” , destacou.
O dirigente alertou ainda que a sobrecarga gera um efeito cascata: o trabalhador afasta-se para cuidar da saúde mental e quem fica precisa “aguentar um rojão muito maior”, tornando-se o próximo candidato ao adoecimento. Ele também citou o impacto regional do encerramento do atendimento com caixas no Bradesco de Mairiporã e cobrou soluções urgentes para as mesas permanentes da CASSI e Previ.
Fiscalização da NR1 e a importância das denúncias
A secretária de Saúde do Sindicato, Marisol Alves, detalhou o funcionamento do projeto “Menos Metas, Mais Saúde” e explicou o impacto da nova atualização da NR1 (Norma Regulamentadora 1). Pela regra, as empresas são obrigadas a adotar medidas efetivas para evitar o adoecimento psicossocial dos empregados e já podem ser fiscalizadas e punidas por agências superlotadas, falta de pessoal e atendimento precário.
Marisol pontuou que a falta de funcionários gera um ambiente hostil, onde a meta dobra e os clientes, irritados com a espera de até quatro horas na fila, descarregam a frustração nos bancários. Para combater essa realidade, ela orientou os funcionários a encaminharem provas ao Sindicato para subsidiar as denúncias levadas ao Ministério Público, como fotos de agências lotadas e controles de tempo de fila. Com a NR1, as agências em situação irregular podem sofrer interdições, multas e até processos coletivos por danos morais.
“Temos atendido muitos funcionários que priorizam o trabalho e deixam de ir ao médico. Nos bancos privados, quando o trabalhador adoece e não se afasta, ele piora até ser demitido, porque para o banco o funcionário doente é visto como descartável. Priorizem sempre a saúde de vocês”.
Desafios na mesa de negociação e falha na segurança bancária
Wanderley Ramazzini, presidente do Sindicato, fechou o bate-papo contextualizando as negociações globais da Campanha Salarial e da Convenção Coletiva de Trabalho com a Fenaban. Segundo os dirigentes, as duas primeiras rodadas de negociação foram duras, com os banqueiros rejeitando propostas básicas, incluindo cláusulas de estabilidade temporária para mulheres vítimas de feminicídio e relembrou o impacto social do fechamento de agências na região, citando o caso recente do distrito de Terra Preta, que deixou a população idosa desassistida e vulnerável ao deslocamento.
Ramazzini encerrou a atividade fazendo uma crítica severa à estrutura física e à segurança da agência de Mairiporã. Embora o ambiente seja moderno e visualmente bonito, o presidente apontou uma falha grave na disposição dos equipamentos de proteção:
“Para o banco, o maior patrimônio é o dinheiro; para nós, é a vida de cada um de vocês. O banco colocou a porta de segurança no piso superior, protegendo o dinheiro e deixando vocês, que estão no piso de baixo, completamente vulneráveis a agressões e assaltos”, denunciou.
O presidente relembrou que episódios de violência verbal e até a entrada de pessoas armadas já aconteceram na base e garantiu que o Sindicato vai lutar pela reinstalação das portas de segurança no acesso principal da agência. “Dinheiro tem seguro e o banco repõe. A vida não. O recado do Sindicato é que estamos do lado de vocês e a saúde e a segurança não podem ser negligenciadas”.
Durante a visita, o funcionário da agência e diretor do Sindicato, Paulo Roberto de Oliveira, contextualizou os principais desafios enfrentados pela categoria no dia a dia e cobrou uma postura mais ativa dos trabalhadores diante da atual precariedade do sistema.
“O momento que vivemos nas agências é muito difícil, com uma falta crônica de funcionários e diversas mazelas operacionais que sobrecarregam o trabalhador. Por isso, a nossa presença e mobilização dentro da base são fundamentais. Mas o sindicato não é feito só de diretores; ele é o coletivo. Precisamos resgatar a nossa história de luta, que garantiu conquistas como a PLR e as férias, e responder às tentativas de desmonte com união. Nosso plano é organizar uma grande demonstração de força ainda este ano. Se estivermos coesos, conquistaremos vitórias; se nos dispersarmos, ficaremos fragilizados”, concluiu.
Denuncie ao Sindicato!
O Sindicato reforça que as denúncias encaminhadas à Secretaria de Saúde são totalmente anônimas e seguras, servindo como ferramenta essencial para que a entidade possa cobrar o banco e exigir mudanças estruturais na agência.
Você pode entrar em contato através do telefone (11)2440-7888, enviar um e-mail para saude@bangnet.com.br ou ainda preencher o formulário de denúncias de nosso site, basta clicar aqui.





