Campanha “Menos Metas, Mais Saúde” chega ao Itaú Arujá para combater o assédio e a sobrecarga de trabalho
A diretoria do Sindicato segue intensificando a campanha permanente “Menos Metas, Mais Saúde” diretamente nas agências de sua base. Na manhã desta terça-feira, 23 de junho, a mobilização ocorreu na agência 4299 do Itaú, em Arujá, com a presença de parte da diretoria. O objetivo da ação é aproximar a entidade dos bancários, ouvir demandas, discutir a atualização da NR1 e combater problemas crônicos como o assédio moral e a pressão abusiva por metas inalcançáveis. O cenário da categoria é alarmante: os transtornos psicológicos e o esgotamento nervoso são os maiores motivos de licenças, colocando o setor bancário no preocupante terceiro lugar em afastamentos por doença mental no INSS.
A secretária de Saúde do Sindicato, Marisol Alves, enfatizou a urgência de uma mudança institucional e destacou que a nova NR1 permite a punição rigorosa de bancos que negligenciarem a saúde mental, prevendo multas e até o fechamento de unidades. Ao detalhar condutas que configuram assédio, como o controle de idas ao banheiro e mensagens fora da jornada, ela alertou que os funcionários precisam se desligar do trabalho após o expediente para preservar a saúde.
“Mensagens fora do horário do trabalho de vocês também podem ser consideradas assédio, quem trabalha 24 horas por dia vai adoecer. Com a atualização da NR1 a gente está indo mais a fundo, mas precisamos que vocês estejam cientes e façam a parte de vocês também, que é se desligar. Essa fala não é direcionada para uma gestão específica, porque os gerentes gerais também são assediados pela superintendência; é algo geral, institucional. Infelizmente, para o banco, um funcionário doente é um funcionário inútil. Se vocês não priorizarem a saúde de vocês, não vai ser o banco que vai priorizar”, alertou.
Empregabilidade em risco – em seguida, o diretor e coordenador do coletivo do Itaú do Sindicato, Gilmar Oliveira, abordou a redução dos postos físicos de trabalho e a preocupação com a empregabilidade, agravada pelo fim da obrigatoriedade das homologações no Sindicato. Dados do Dieese apontam que os cinco maiores bancos fecharam 1.345 agências no ano passado, liderados pelo Itaú, que encerrou 319 unidades. Em 2026, o ritmo acelerou, registrando 219 fechamentos até junho, com projeção de 250 até o fim do ano.
Essa reestruturação gera sobrecarga imediata, filas e pressões por metas através de sistemas como o GERA e o SQV, onde o trabalhador acaba punido por cancelamentos de clientes. Gilmar contrapôs os cortes ao lucro líquido de R$ 12 bilhões do Itaú no primeiro trimestre.
“Só o Itaú fechou 319 agências no ano passado, sendo o banco que mais fecha agências hoje. Os dados do Dieese mostram que tínhamos 188 fechamentos acumulados até maio e agora já são 219 agências fechadas, com projeção de 250 até o fim do ano. A nossa maior preocupação é manter a empregabilidade, porque o banco fecha a agência e sobrecarrega o atendimento na unidade que fica com os clientes. O banco força situações para você bater a meta e, se o cliente cancela o produto depois por restrições financeiras, o bancário é penalizado no SQV com advertências que levam à demissão. Precisamos discutir e dialogar com o banco para reverter essa sobrecarga e evitar o adoecimento”, pontuou.
No término da atividade, o presidente Wanderley Ramazzini relembrou a transformação no perfil de adoecimento da categoria, que migrou das lesões físicas (LER/DORT) para os transtornos psicossociais. Atualmente, embora os bancários representem apenas 1% dos trabalhadores CLT do país, eles respondem por cerca de 20% a 25% dos afastamentos por doenças mentais na Previdência Social. Diante disso, Ramazzini reforçou que a entidade tem cobrado planos estruturados do Itaú junto ao MPT para mitigar os riscos psicológicos causados pelo acúmulo de clientes.
“No universo de trabalhadores em regime CLT no Brasil, nós, bancários, representamos apenas 1% do total. No entanto, respondemos por 20% a 25% dos afastamentos por doenças mentais no INSS. Isso é um problema grave. Estamos fazendo essas reuniões para conscientizar: deu o horário de vocês, batam o cartão e esqueçam o banco, vão curtir a vida e a família. Nós inclusive tivemos reunião no Ministério Público do Trabalho sobre a NR1, porque as empresas precisam apresentar planos de combate a questões psicológicas. Estamos cobrando o que o banco tem preparado para mitigar esse impacto de menos agências e mais clientes para atender, pois chegar e ver aquela fila enorme gera um desgaste psicológico imediato que precisa ser combatido”, concluiu.
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