Dia da Consciência Negra: revolta no lugar de celebração

Em 2020 o racismo resolveu responder na prática o motivo pelo qual o país “comemora” o Dia da Consciência negra. Nesse dia 20 de novembro, o Brasil acordou com a notícia de que poucas horas antes do fatídico dia de “celebrações” e reflexão, mais um preto foi assassinado por motivo fútil e depois colocado como suspeito para que a opinião pública não massacrasse a rede de supermercados.

 

Na noite do dia 19 de novembro, João Alberto Silveira de Freitas, homem preto de 40 anos, foi covardemente assassinado em uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. Beto, como era conhecido, foi levado ao estacionamento por um segurança e um policial militar temporário após discutir com uma funcionária, onde foi filmado sendo espancado até a morte.

 

O vídeo mostra Beto sendo derrubado, imobilizado com o joelho em seu pescoço e apanhando. Os assassinos foram presos em flagrante por homicídio qualificado, quando há a intenção de matar. O Carrefour, aquele mesmo supermercado onde um cão foi assassinado, que cobriu o corpo de um prestador de serviços que morreu de causas naturais para não fechar uma loja, que demitiu uma funcionária preta após denunciar racismo de uma superior, afirmou que rompeu contrato com a empresa responsável pela segurança.

 

E se formos mais longe, tem mais. Em 2009, Januário Alves de Santana foi acusado de roubo em uma loja do Carrefour, em Osasco, apenas porque estava dentro de seu próprio carro, uma EcoSport. Santana foi espancado por 20 minutos com murros, chutes e coronhadas enquanto era questionado sobre sua presença dentro do veículo.  Mas a super rede nada aprendeu com tantos episódios e o caso de Porto Alegre terminou com um desfecho trágico.

 

O assassinato de Beto e a violência contra Januário não são coincidência, o Atlas da Violência 2020 aponta que há forte concentração dos índices de violência letal contra a população preta e expressa a gritante desigualdade racial no Brasil. O estudo é produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e mostra que jovens negros são as principais vítimas de homicídios e que essa taxa tem apresentado crescimento acentuado nos últimos anos.

 

Em 2018, 75,7% das vítimas de homicídios eram negras (pretos e pardos), uma taxa de 37,8 para cada 100 mil habitantes. Entre os não negros (brancos, amarelos e indígenas), essa taxa ficou em 13,9 para cada 100 mil habitantes, ou seja, quase três vezes menor que os assassinatos contra negros.

 

Sem emprego – Além da violência que dizima os pretos e pretas do Brasil, o desemprego também é uma dura realidade que bate a porta dessas famílias. De acordo com o Dieese, quase 8 milhões de pessoas perderam seus empregos durante a pandemia, sendo que 6,3 milhões são negros.

 

Na tentativa de combater o racismo no local de trabalho, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) lançou no dia 6 de novembro um canal de denúncias no estado de São Paulo. A proposta é que uma equipe de advogados prestem atendimento gratuito, recebam as denúncias e deem o desdobramento necessário às questões.

 

As denúncias podem ser encaminhadas através do whatsapp (11) 94059-0237 ou através do e-mail bastaderacismo@cutsp.org.br.

 

 

 

 

 

 

 

 

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