Dia Internacional da Pessoa com Deficiência: inclusão ainda é desafio no setor bancário
Neste 3 de dezembro, Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, é fundamental reforçar a importância da inclusão, da igualdade de oportunidades e da garantia de direitos dentro de todos os espaços da sociedade, especialmente no mundo do trabalho. Segundo a Organização das Nações Unidas, cerca de 10% da população mundial possui algum tipo de deficiência, o que evidencia a necessidade de políticas cada vez mais eficazes para assegurar dignidade e condições adequadas de vida para essa parcela da população.
No setor bancário, os desafios seguem profundos. Apesar dos avanços conquistados pelo movimento sindical, a participação de pessoas com deficiência ainda é baixa. O último Censo Diversidade da Fenaban, divulgado em 2019, apontava que apenas 3,6% dos bancários eram pessoas com deficiência, um número que não condiz com a realidade brasileira e que revela um processo lento de inclusão.
Em 2025, foi realizada a coleta de dados para o 4º Censo Diversidade, que abrange informações sobre gênero, raça, orientação sexual e deficiência. No entanto, os resultados consolidados só devem ser divulgados em fevereiro de 2026, o que mais uma vez adia o acesso a informações essenciais sobre a composição da categoria.
“O Censo Diversidade é uma ferramenta fundamental para identificar desigualdades e orientar políticas de inclusão. Mas, sem os dados completos e atualizados, ficamos de mãos atadas, fica impossível corrigir um problema que não conseguimos dimensionar. A categoria participou, os sindicatos incentivaram, mas agora esperamos transparência e compromisso da Fenaban na divulgação dos resultados do Censo em 2026”, afirma Rita Maria Serafim, coordenadora do Coletivo de Pessoas com Deficiência do Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região.
Brasil: inclusão ainda distante da realidade ideal
O Brasil possui 18,6 milhões de pessoas com deficiência. Dessa população:
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apenas 26,6% estão no mercado de trabalho;
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55% atuam na informalidade;
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19,5% são analfabetas;
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e, entre quem trabalha, a renda média é de R$ 1.860.
Os dados do IBGE revelam um quadro preocupante, que exige políticas públicas e ações privadas estruturadas e constantes.
A legislação brasileira determina, pela Lei Federal nº 8.213/1991, a reserva obrigatória de vagas para PcDs conforme o porte das empresas. No entanto, na prática, garantir que essas vagas sejam de fato preenchidas e que haja condições dignas de trabalho e progressão profissional ainda é uma luta diária.
“Os números mostram que ainda estamos longe do ideal. Quando apenas um quarto das pessoas com deficiência está no mercado de trabalho, e mais da metade delas na informalidade, fica claro que a inclusão ainda é tratada como exceção, não como regra. A acessibilidade precisa deixar de ser um discurso bonito e se tornar compromisso real nas empresas, no poder público e na sociedade. Queremos oportunidades, autonomia e respeito. Não dá mais para esperar”, concluiu Rita.


