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Dor invisível, impacto real: LER/DORT continua marcando a saúde dos bancários

Imagine o seguinte cenário: o dia de trabalho ainda nem chegou à metade e a dor já começou. Primeiro, um formigamento discreto nos dedos, depois uma sensação de peso no punho, que sobe pelo antebraço e se instala no ombro. Movimentos simples como digitar, usar o mouse e atender um cliente passam a exigir esforço. Muitos bancários convivem com a dor que começa leve, vira rotina e, quando se percebe, já limita o trabalho e a vida dentro e fora das agências.

O diagnóstico costuma vir após meses de sintomas ignorados ou naturalizados. Exames, afastamentos, fisioterapia e a constatação de que não se trata de um desconforto passageiro, mas de Lesões por Esforços Repetitivos e Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT), um dos principais problemas de saúde da categoria bancária.

A data de 28 de fevereiro, marcada como o Dia Mundial de Conscientização sobre LER/DORT, reforça a importância de dar visibilidade a uma doença que atinge milhares de trabalhadores e trabalhadoras e que está diretamente ligada à forma como o trabalho é organizado.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), realizado com base em dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) colhidos em 2024, aponta que LER/DORT é a segunda maior causa de afastamentos entre bancários, responsáveis por 20,3% dos afastamentos acidentários e 15,2% dos afastamentos previdenciários na categoria em 2024. O dado confirma que, apesar das transformações tecnológicas no setor, o adoecimento físico segue presente e relevante.

Para a secretária de Saúde do Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região, Marisol Alves, o problema vai além da repetição de movimentos.

“A LER/DORT não é apenas uma questão ergonômica. Ela está ligada ao ritmo intenso, às metas, à sobrecarga e à pressão constante. Muitas vezes o trabalhador sente dor, mas continua produzindo por medo de perder a função ou o emprego, por isso que a prevenção é tão importante para evitar que a doença avance.”

Especialistas destacam que a identificação precoce é essencial. Quanto mais cedo o trabalhador procura atendimento e comunica o problema, maiores são as chances de evitar quadros crônicos.

Como prevenir LER/DORT no dia a dia

  • Ajustar cadeira, mesa e altura do monitor para manter postura adequada
  • Fazer pausas regulares durante a jornada
  • Alternar tarefas sempre que possível
  • Realizar alongamentos para mãos, braços, ombros e pescoço
  • Evitar permanecer longos períodos sem descanso muscular
  • Procurar atendimento médico assim que os primeiros sintomas surgirem.
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