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Perdão a jato para golpistas, gaveta para a classe trabalhadora

Se você quer entender de que lado está o Congresso Nacional, basta olhar para o relógio. Quando o assunto é a pauta da classe trabalhadora, o tempo dos parlamentares parece parar. O projeto que propõe o fim da desumana escala 6×1, uma urgência para a saúde e a vida de milhões de brasileiros , segue se arrastando nos corredores de Brasília, sob a desculpa de que “é preciso mais debate”. Mas, quando o objetivo é proteger os seus aliados, a agilidade do Congresso bate todos os recordes.

A prova mais recente e vergonhosa dessa seletividade aconteceu com o chamado “PL da Dosimetria”. Em uma votação a jato, os parlamentares tratoraram o veto do presidente Lula e garantiram a redução das penas dos condenados pelos atos golpistas do 8 de Janeiro de 2023. Para garantir que a impunidade vencesse, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não hesitou em recorrer a uma manobra regimental para desmembrar os vetos e acelerar a votação.

O placar foi um retrato do corporativismo e do descaso com a democracia: na Câmara, 318 deputados votaram para derrubar o veto e aliviar a barra dos golpistas (contra 144). No Senado, foram 49 votos a favor do afrouxamento e 24 contra.

O que eles aprovaram, na prática? Um verdadeiro pacote de bondades para quem atentou contra o Estado Democrático de Direito. A principal manobra do projeto é acabar com a somatória das penas para crimes de golpe de Estado e abolição violenta da democracia, diminuindo drasticamente o tempo de cadeia dos sentenciados.

A lição que fica para os trabalhadores O Congresso Nacional deixou um recado muito claro: eles não têm interesse nas pautas de quem acorda de madrugada e movimenta a economia deste país. Atuam, pura e simplesmente, por interesse próprio e para blindar os seus.

Não podemos esperar boa vontade de quem legisla em causa própria. Se os parlamentares têm pressa para perdoar quem quebra Brasília, nós precisamos ter o dobro de força para exigir o fim da escala 6×1 e a proteção dos nossos direitos. A nossa resposta não será dada nos gabinetes, mas sim na rua, na pressão e na organização de cada trabalhador e trabalhadora. Só a luta nos garante!