Superlotação no Bradesco revela o erro de encerrar atividades em unidades físicas
Apesar de dados divulgados pela Febraban apontarem que sete a cada dez atendimentos bancários são realizados remotamente, a realidade crua é que as agências físicas estão cada vez mais lotadas de clientes. Exemplo claro disso é a agência do Bradesco em Mairiporã, que se encontrava abarrotada na tarde desta terça-feira, dia 5 de maio, durante uma visita de rotina dos diretores do Sindicato, Roberto Leite e João Cardoso.
O que os dirigentes encontraram no local desmente o discurso de modernidade usado pela direção do banco. Com o espaço superlotado, o cenário é de adoecimento iminente e sobrecarga extrema para os bancários, que atuam em agências com um número cada vez mais reduzido de funcionários e sãoforçados a dar conta de uma demanda presencial gigantesca e ininterrupta, enquanto a população é penalizada com filas intermináveis e um tempo de espera desumano.
“O Bradesco tenta empurrar a narrativa de que o aplicativo resolve tudo, mas o que vemos na ponta é o bancário esgotado e o cliente indignado. A agência de Mairiporã estava um verdadeiro caos. O banco enxuga drasticamente o quadro de funcionários, joga todo o peso do atendimento nas costas de quem fica e ainda cobra metas inatingíveis. É uma covardia com a saúde mental e física do trabalhador”, denunciou o diretor Roberto Leite.
O Bradesco tenta justificar esse desmonte com o avanço da digitalização, citando o crescimento do Pix e dos aplicativos via celular, mas os números expõem a verdadeira realidade dessa estratégia: a redução impiedosa de custos em detrimento do ser humano.
Os dados são alarmantes. Entre junho de 2024 e junho de 2025, o Bradesco encerrou 342 agências, além de 1.002 postos de atendimento e 127 unidades de negócio. Segundo o Dieese, esse desmonte representou cerca de 38% de todas as agências bancárias fechadas no país em um único ano.
O histórico recente confirma que o banco assumiu a vanguarda da precarização estrutural. Um levantamento focado em 2024 apontou que o Bradesco liderou com folga o fechamento de pontos físicos entre os grandes bancos, extinguindo cerca de 1.358 unidades, entre agências e postos de atendimento.
“A direção do Bradesco usa a tecnologia como desculpa perfeita para cortar despesas operacionais, ignorando que uma parcela enorme da sociedade ainda precisa do atendimento presencial. Fechar milhares de pontos de atendimento, como foi o caso do Bradesco Terra Preta, é virar as costas para a população e moer a saúde dos bancários que sobrevivem às demissões. O resultado de liderar o fechamento de unidades no país é liderar também a fila do desrespeito”, repudiou o diretor João Cardoso.
Em caso de denúncias sobre superlotação, sobrecarga ou assédio, ligue para o telefone (11) 2440-7888 ou entre em contato diretamente pelo WhatsApp (11) 97643-2611. O sigilo é absoluto.
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