Palestra – Setembro Amarelo, o silêncio pode custar vidas
Nesta quinta-feira, 18, a diretoria do Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região promoveu a palestra “O silêncio pode custar vidas”, ministrada pela psicóloga clínica Edivania Silva e pela médica psiquiatra Nara Castellon. A atividade foi organizada pelo Coletivo de Saúde da entidade, composto pela secretária de Saúde Marisol Alves, Jessé Costa e Luís Marques, e faz parte das ações do Setembro Amarelo.
As palestrantes trouxeram reflexões sobre a importância de quebrar o tabu em torno da saúde mental e de olhar com atenção para os sinais de sofrimento que podem afetar trabalhadores e trabalhadoras, em especial no setor bancário, historicamente marcado por forte pressão, metas abusivas e adoecimentos relacionados ao trabalho.
Durante a fala, a Dra. Nara Castellon destacou a necessidade de abrir espaço para o diálogo:
“Falar sobre saúde mental ainda é um desafio, mas é essencial para quebrar preconceitos e salvar vidas. Quando silenciamos sobre o sofrimento, aumentamos as chances de adoecimento. Precisamos olhar para nós mesmos, para nossos colegas e familiares, e incentivar a busca por ajuda profissional sem medo ou estigmas.”
Já a psicóloga Edivania Silva destacou a importância de falar sobre saúde mental no setor bancário com responsabilidade. Ela lembrou que, em 2005, um estudo revelou que a cada 20 dias um trabalhador da categoria tirava a própria vida. Segundo ela, embora seja fundamental reconhecer a gravidade desse cenário e discutir formas de prevenção, a atualização e divulgação desses números de maneira direta pode ter um efeito de incentivo em pessoas em sofrimento, que já apresentam ideação suicida.
“Por isso, muitas vezes não se trata de abafar o problema, mas de uma estratégia de cuidado, para que a forma como o tema é tratado não estimule novos casos. O essencial é ampliar o debate sobre saúde mental, investir em apoio psicológico e garantir que os trabalhadores encontrem acolhimento antes que o pior aconteça”, explicou.
Além de apresentar dados e reflexões, as especialistas compartilharam sinais de alerta que podem indicar sofrimento emocional, como alterações de humor, distúrbios no sono e no apetite, irritabilidade, isolamento social e queda no desempenho no trabalho. “O primeiro passo é enxergar que algo não vai bem; o segundo é buscar ajuda. Quanto antes esse movimento acontece, maiores são as chances de recuperação”, reforçaram.
A secretária de Saúde do Sindicato, Marisol Alves, ressaltou a importância da iniciativa e o papel da entidade em promover o debate:
“Setembro Amarelo nos lembra da urgência do tema, mas nosso compromisso é permanente. A saúde mental precisa estar sempre em pauta. Queremos ampliar a informação, o acolhimento e lutar por condições de trabalho que preservem a vida e o bem-estar dos bancários e bancárias.”, concluiu.
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