Bancários de todo o país realizam Dia Nacional de Luta contra os abusos do Banco do Brasil
Na manhã desta quarta-feira, dia 22 de outubro, Sindicatos dos bancários de todo o país se uniram em um Dia Nacional de Lutas contra os abusos cometidos pela direção do Banco do Brasil, incluindo a retirada de direitos e a cobrança por metas abusivas. Em Guarulhos, a diretoria do Sindicato realizou a mobilização na agência BB Estilo, onde houve atraso na abertura da unidade e diálogo com os trabalhadores sobre os ataques da instituição à categoria.
Nos últimos meses, a alta direção do Banco do Brasil tem dado sinais preocupantes sobre o rumo da instituição. A gestão parece ter adotado uma lógica de mercado que transforma o ambiente de trabalho em um espaço de cobrança incessante, com metas inalcançáveis e práticas que adoecem o funcionalismo.
O corte de vagas de seis horas e a substituição por cargos de oito horas, sem qualquer diálogo com a representação sindical, refletem essa política de pressão e sobrecarga. Ao ampliar jornadas e reduzir direitos, o Banco do Brasil desrespeita sua própria história e os trabalhadores que sustentam seus 217 anos de existência.
Durante a atividade, o presidente do Sindicato, Wanderley Ramazzini, destacou a importância da informação e do cuidado coletivo com a saúde mental no ambiente de trabalho:
“A informação é essencial para tudo, tanto a verdadeira quanto a falsa. E a informação falsa, às vezes, influencia muito quem não busca a verdadeira, por isso a importância de que cada um ajude quem está ao lado. Se perceber alguém diferente, abatido, que parou de conversar, é sinal de que algo não vai bem.
Orientar um colega a procurar ajuda não é ofensa, é cuidado. Buscar um psicólogo ou psiquiatra não é sinal de fraqueza, é um ato de coragem.”
Wanderley também alertou que, historicamente, o Banco do Brasil foi o que mais registrou casos de suicídio entre bancários, ressaltando a urgência de políticas internas que priorizem a saúde mental e o equilíbrio entre vida e trabalho.
O secretário de Comunicação do Sindicato e bancário do BB, João Cardoso, reforçou que o banco vem se distanciando de sua função pública e se aproximando do modelo dos bancos privados:
“Desde 2016, com a mudança na missão institucional, o Banco do Brasil passou a se igualar a bancos de mercado, como o Itaú. O BB, que sempre teve um papel social, hoje persegue metas e resultados como se fosse uma empresa privada e quando optamos por trabalhar aqui, acreditávamos estar em uma empresa diferenciada, que valorizava o funcionalismo público. Agora, querem transformar o Banco do Brasil em algo que ele não é: um banco privado, com tudo o que há de pior nas relações de trabalho.”
João ainda lembrou que o banco vem descumprindo prazos de negociações referentes à Cassi e à Previ, previstos no último acordo coletivo, o que demonstra o desrespeito com o funcionalismo e com os compromissos firmados.
A secretária de Saúde do Sindicato, Marisol Alves, falou sobre o impacto das metas e da pressão psicológica sobre a categoria, lembrando que a Norma Regulamentadora 1 (NR1) obriga as empresas a adotarem medidas de prevenção de doenças psicossociais. Ela destacou ainda que a categoria bancária é a terceira que mais adoece no país, atrás apenas de professores e policiais, e que muitas práticas presentes no ambiente de trabalho configuram assédio moral.
“Gritar com funcionários, expor ranking de metas, criticar a vida pessoal, retirar cargos sem justificativa ou limitar idas ao banheiro são atitudes ilegais e denunciáveis”, afirmou Marisol, reforçando que o Sindicato mantém um canal sigiloso para denúncias de assédio moral, garantindo proteção e acompanhamento aos trabalhadores.
Se você é vítima de alguma dessas práticas, procure o Sindicato através do telefone (11) 2440-7888 ou envie um e-mail para saude@bangnet.com.br. Sua identidade será mantida no mais absoluto sigilo.







