Emprego, inclusão e igualdade marcam as primeiras reuniões da Campanha Salarial 2026
Estamos em Campanha Salarial.
No dia 24 de junho, a categoria bancária entregou à Fenaban a pauta de reivindicações que vai orientar as negociações da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), com data-base em 1º de setembro.
A pauta foi construída com a participação de cerca de 55 mil bancários e bancárias em todo o país, a partir de consultas e conferências.
O que a categoria quer
5% de aumento real nos salários e verbas
Valorização da PLR
Aumento do VA e VR
Fim das metas abusivas
Defesa dos empregos
Defesa dos bancos públicos
Respeito à privacidade no teletrabalho
Enquanto os bancos lucram bilhões, a categoria enfrenta:
fechamento de agências
demissões
aumento da pressão por metas
Lucros X realidade dos bancários
R$ 145 bilhões de lucro dos 5 maiores bancos (2025)
+114% de crescimento no sistema financeiro (2020–2025)
14 mil empregos fechados
1.300 agências encerradas
Na primeira reunião entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban, o debate girou em torno das condições de trabalho e dos direitos. Entraram na mesa temas como inclusão de pessoas com deficiência, a proposta da escala 4×3, o teletrabalho com direito à desconexão e a segurança digital. Apesar de avanços pontuais, os dados mostram que ainda há mais demissões do que contratações de PCDs no setor.
PCDs: setor tem 4,5%, mas com mais demissões do que contratações
Escala 4×3: proposta para melhorar qualidade de vida
Teletrabalho: defesa do direito à desconexão
Segurança digital: proteção no ambiente bancário
Na segunda rodada, o clima mudou. O tema principal passou a ser o emprego, já que os números são preocupantes: milhares de postos de trabalho foram fechados nos últimos anos, enquanto as agências seguem sendo encerradas. Tudo isso em um cenário de lucros bilionários. Mesmo assim, os bancos se recusaram a suspender as demissões durante a negociação.
Demissões: mais de 93 mil postos fechados desde 2015
Agências: redução de 42% na rede física
Lucros: bancos seguem com resultados bilionários
Já na terceira reunião, o foco foi a desigualdade dentro da categoria. As diferenças salariais entre homens e mulheres continuam altas, e são ainda maiores quando se trata de mulheres negras. A presença de pessoas negras e de mulheres nos cargos de liderança também segue abaixo do necessário. A cobrança do movimento sindical é por mais igualdade, respeito e oportunidades reais.
Desigualdade e inclusão marcaram o terceiro encontro.
Salários: mulheres ganham 18,4% menos
Mulheres negras: recebem 34,2% a menos
Liderança: presença ainda é baixa e desigual
O Comando Nacional enfrentou um clima hostil durante a quarta rodada de negociações da campanha salarial, realizada nesta terça-feira, 21 de julho, na qual a Fenaban apresentou propostas que retiram direitos. A entidade patronal adotou uma postura irredutível ao ameaçar a divisão da mesa única entre bancos públicos e privados, recusar saídas para o endividamento dos trabalhadores e travar o debate sobre a alarmante crise de saúde mental na categoria, ameaçando inclusive revogar conquistas já consolidadas.
- Ameaça à mesa única: A Fenaban tentou separar as negociações de bancos públicos e privados, tentativa rechaçada pelos trabalhadores por enfraquecer a união histórica da categoria.
- Recusa sobre o endividamento: O patronato negou a proposta de redução de taxas de juros para bancários endividados, sugerindo apenas o adiantamento da PLR.
- Crise na saúde mental: Com 25% dos afastamentos acidentários do INSS causados por transtornos mentais, o sindicato cobrou o fim de metas abusivas, mas a Fenaban ameaçou retirar cláusulas de saúde da CCT.
- Mobilização convocada: Ficou decidida a continuidade do debate de saúde para o dia 30/07 e a realização de um Dia Nacional de Luta em 28/07.
Na quinta rodada, realizada na quinta-feira, dia 30 de julho, o Comando Nacional apresentou as reivindicações econômicas, cobrança de aumento real, valorização do VA/VR, maior PLR e piso do Dieese para TI e entrada, sustentado pelos R$171 bilhões em lucros dos bancos em 2025. A Fenaban analisará as propostas e dará retorno no dia 4 de agosto.
Na pauta de saúde, os bancos sinalizaram debate sobre o gerenciamento de riscos (PGR), mas tentaram limitar a complementação por afastamento (Cláusula 29) de 2 anos para 45 dias e questionaram atestados médicos. Após forte reação do Comando contra a retirada de direitos, a Fenaban recuou e trará nova proposta na próxima reunião.
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Sem mobilização, não tem conquista.

