133 anos após Lei Áurea, 13 de maio é dia de protesto e não de comemoração

O Brasil viveu longos 356 anos de um regime escravocrata cruel. Várias gerações de homens e mulheres negros nasceram e morreram servindo aos brancos, tendo seus filhos e filhas arrancados de seus braços e vendidos a outros “senhores”, sem um dia de folga e muita violência. Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel assinou a Lei Áurea e libertou os escravos, dando aos pretos e pretas do Brasil uma liberdade que até hoje não desfrutam.

 

A abolição é recente, apenas 133 anos nos separam daquele fatídico dia, mas o Dia da Abolição da Escravatura os negros e negras não têm o que comemorar, mas sim protestar e refletir sobre racismo, capitalismo com base na exploração e opressão racial, mercado de trabalho e desigualdade social, ainda mais evidente em um país devastado pela crise sanitária provocada pela pandemia do coronavírus que já matou quase 430 mil pessoas, e que inclusive são as maiores vítimas do vírus.

 

Fato é que a lei assinada pela princesa regente não colocou a pessoa preta em situação de equidade social, política e econômica e essa discrepância está perpetuada até os dias atuais, mas com muros sociais e raciais invisíveis aos olhos do senso comum, o que faz com que parte da população branca negue a existência do racismo, mesmo que ainda o cometa no dia a dia.  “O negro e a negra foram colocados à margem da sociedade. A abolição aconteceu no papel, foi reconhecida pela corte, mas o fato é que as pessoas pretas foram excluídas do processo social, formamos a base da pirâmide que sustenta todo o capitalismo. Precisamos de políticas públicas que ajudem a diminuir a desigualdade, uma reparação histórica como as cotas nas universidades, que foi uma das primeiras políticas afirmativas idealizadas para essa população”, explicou Luis Carlos dos Santos, presidente do Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região.

 

Além das cotas, o movimento negro conquistou a criação do Dia Nacional da Consciência Negra através da Lei 12.519/11 e tantas outras ações afirmativas de combate a discriminação racial. Mas muitas conquistas ainda virão, com a ocupação dos espaços pelo povo preto.

 

 

 

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