Enquanto trabalhadores batalham por reajuste justo, STF aprova aumento de 16% para ministros da Corte

Após justificarem que os magistrados sofriam com “a dureza da inflação” e com a “sensível e insuportável perda monetária acumulada”, o Superior Tribunal Federal (STF) aprovou o reajuste de 16% em seus próprios salários por seis votos a cinco e abriu precedente para que os salários dos demais juízes e de outras carreiras do Executivo e do Legislativo.

 

Enquanto trabalhadores e trabalhadoras batalham por reajustes justos por movimentarem a economia e recebem propostas vergonhosas, como no caso da categoria bancária em que a Fenaban propôs apenas a reposição da inflação, o salário dos ministros que é de R$33,8 mil atualmente, subirá para R$39 mil, sem contar benefícios. “Esse reajuste é uma vergonha e uma afronta aos brasileiros que sobrevivem com salários extremamente baixos e sem nenhum privilégio. Quem sente a dureza da inflação é o trabalhador, os juízes já têm benefícios demais”, relatou Luis Carlos dos Santos, presidente do Sindicato dos Bancários de Guarulhos e Região.

 

Se compararmos os vencimentos dos juízes brasileiros ao contracheque dos magistrados europeus veremos que não são privilegiados apenas em relação aos demais trabalhadores do país. Um estudo da Comissão Europeia para Eficiência da Justiça, de 2016, aponta que um juiz da Suprema Corte da Europa recebia de 4 a 5 vezes mais que a renda de um trabalhador, quando no Brasil o salário-base de um magistrado do STF corresponde a 16 vezes a renda mensal do brasileiro, isso sem o reajuste de 16% aprovado pelos magistrados. “Isso é ainda mais vergonhoso em um país que, em junho, registrou 13,2 milhões de desempregados”, concluiu Santos.

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